EDUCAÇÃO DA ATITUDE
“...no Programa PARAGON entrego a totalidade do melhor do que encontrei no mundo para aqueles que buscam tornar-se o melhor que possam ser em suas vidas...”
Amauri MAVERICK
Head Trainer & Heart Coach
Amauri Maverick Pereira
 
Quarta-Feira, 22 de fevereiro de 2012. Boa noite!
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Depoimento

João Carlos
" ... tomei várias decisões importantes durante o PARAGON ... Mudei. E para melhor. A começar pela minha alimentação ... Eu achava que meu maior problema era estresse? Coisa nenhuma! Descobri algo que, o tempo todo, estava debaixo do meu nariz: "Nada tem nenhum significado, senão aquele que você atribui"... Amauri, vc tem luz própria ... abraços e beijos, do seu irmão, amigo e admirador ..."

João Carlos

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ATITUDE

ATITUDE DA AUTOESTIMA

 

Como sabemos quando e quanto de nossa estima por nós mesmos está ou não no comando de nossas atitudes, de nossas decisões, de nossas reações e de nossos comportamentos? Quando somos reconhecidos, lembrados e valorizados é nossa autoestima que faz a festa dentro de nós. Quando assumimos uma atitude positiva e otimista sobre nossas perspectivas, quando somos seguros e firmes em nossas opiniões ou convicções e confiantes em nosso próprio julgamento. Quando reivindicamos nossos direitos e exigimos respeito, valor e consideração. Quando lideramos, quando nos impomos (nos posicionamos), quando nos achamos melhores (positivamente superiores), quando ocupamos nosso espaço e deixamos nossa marca. Quando “nosso” time ganha, nossa seleção é campeã em uma Copa do Mundo ou nossos atletas sobem ao pódio das Olimpíadas é nossa autoestima coletiva que sobe impulsionada pela lógica conveniente (e, até certo ponto, saudável) de que fomos “nós” que ganhamos, que participamos daquilo de alguma forma. Quando Ayrton Senna morreu, perdemos, além do herói, um campeão da auto-estima nacional.

Da mesma forma, quando somos ignorados, desrespeitados ou ultrajados é nossa auto-estima que lidera o motim, que produz a atitude de revolta, de rebelião, a “revolução por Liberté, Igualité et Fraternité”. Quando aceitamos, quando assumimos uma atitude submissa, quando somos omissos, ficamos calados, quando temos uma atitude excessivamente tolerante ou condescendente, é nossa estima por nós mesmos que está fora do trono em algum exílio de esquecimento ou negligência, fazendo de nós vassalos ignorantes de um senhor feudal qualquer e cuja única nobreza é possuir um nível de certeza maior do que o nosso a respeito de seu próprio valor, identidade e superioridade de caráter ou de mérito. Como determinada pessoa certa vez escreveu: “reis transformados em servos, gigantes ouvindo conselhos de vermes”.

 

PORQUE PRECISAMOS DE ATITUDE DE AUTOESTIMA?

 

Precisamos de uma atitude de autoestima porque temos nossas próprias necessidades para satisfazer, e sem essa estima por nós mesmos passaríamos a vida (se sobrevivêssemos a isso) atendendo apenas (ou primeiro) às expectativas e necessidades de outras pessoas e não às nossas próprias necessidades, e isso, apesar de circunstancial e temporariamente tolerável, é biológica e emocionalmente INSUSTENTÁVEL. Vamos morrer se colocarmos a máscara de oxigênio primeiro (ou apenas) em quem está do nosso lado. Por trás dessa atitude de estima por nós mesmos está a maior das forças movedoras, condutoras e diretoras do comportamento humano: auto preservação – sobrevivência. É essa estima por nós mesmos que dá o alerta de que a nave se destruirá se alguma coisa não for feita. É ela que, quando chegamos ao nosso limite, leva-nos a dizer “NÃO, CHEGA, ACABOU. NUNCA MAIS!”. Precisamos de uma atitude de autoestima porque, antes de sermos pessoas sociais e civilizadas, cidadãos, cristãos ou não, somos biológicos e, em última instância, nossa sobrevivência e evolução depende de nós, apenas e totalmente de nós.

 

SOBREVIVÊNCIA, ADAPTAÇÃO E EVOLUÇÃO

 

Viemos a esse mundo com uma construção neurofisiológica tal que, além de predisposições inatas (ninguém é uma tabula rasa, uma folha em branco), deixa-nos a mercê, nos move, conduz e dirige a atender e satisfazer algumas exigências internas básicas (fundamentais), primordiais (inadiáveis), essenciais (universalmente humanas) e específicas (insubstituíveis) que estarão sempre presentes, mas nunca serão total ou permanentemente satisfeitas. Entre essas necessidades está a de significado, a de nos sentirmos significantes, importantes, diferentes, únicos, especiais, necessários e respeitados. O sentimento de que aquilo que somos, fazemos ou temos, tem importância, valor, faz diferença, é valorizado ou pelo menos notado. É essa necessidade de significado que faz da atitude de estima por nós mesmos, mais do que apenas um adorno moral, virtude “bonitinha” ou uma qualidade pessoal, um instrumento de sobrevivência, de auto preservação. Trata-se, por exemplo, da mais poderosa vacina contra qualquer forma de depressão, pois, quanto maior o tamanho do valor que temos por nós mesmos, menor a possibilidade de cabermos em qualquer buraco–depressão. Quando nos sentimos menores, aceitamos e cabemos em qualquer um.

 
PARA QUE ELA SERVE?
 

Além de levar pessoas obesas a perder peso, homens a ganhar músculos e mulheres a ganhar peitos e bundas a base de silicone e narizes esculpidos a bisturi, a atitude de auto-estima, tanto individual quanto coletiva, representa um dos fatores que mais determinaram os destinos da humanidade. Grandes nações foram construídas baseadas na autoestima de seus povos ou na de seus líderes. Os franceses destronaram Luis XVI e acabaram com a monarquia porque acordaram do sonho (ou pesadelo) hipnótico que os fazia aceitar e sustentar, com sua própria fome e miséria, o luxo e a boa vida daqueles cuja suposta “superioridade” era legitimada apenas pela crença (incutida na cabeça de seus súditos) de que eles, os Bourbon tinham “sangue azul”, que eram superiores. Quando o Iluminismo ácido de Voltaire ganhou as gargantas eloquentes de Robespierre e Danton, conquistando imediatamente, além de corações e mentes famintos de dignidade, estômagos desesperados por pão, e tornando-se o instrumento da loucura do médico/monstro Jean Paul Marrat, a hipnose passoua Bastilha caiu e o sangue dos aristocratas e do clero (vermelhinho, bem escarlate, igual ao do mais simples dos camponeses) jorrou na guilhotina, para o delírio ensandecido de jacobinos e a crescente contrariedade dos girondinos, cuja sensatez e moderação, alimentadas pela parte mais lúcida do Contrato Social de Jean-Jacques Rousseau, era naquele momento a única vela acesa na escuridão do Regime do Terror da Revolução Francesa.
 
Foi essa ressurreição da atitude de autoestima coletiva que deu origem a um dos mais significativos pilares do direito e da civilização – a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 que já em seu Artigo Primeiro cumpre a tarefa de assegurar que nenhum Estado ou nação possa representar ameaça, injustiça ou ofensa a auto-estima individual: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.

 
EXAGEROS E CONSEQUENCIAS
 

Logo depois da revolução, a França ficaria pequena demais para a enorme autoestima de Napoleão (que, numa atitude extravagante, porém notavelmente simbólica, coroou a si mesmo imperador tomando das mãos do Papa a coroa e colocando-a em sua própria cabeça) e, antes dele, a Macedônia para Alexandre, a Mongólia para Genghis Khan. É verdade que exageros trágicos e desastrosos foram cometidos. A loucura de Hitler e da Alemanha nazista só foi viabilizada a custa de discursos “geniais” e inflamados, orientados por duas premissas simples: primeiro, a de que a raça ariana era superior e merecia, portanto, toda a estima, obediência e subserviência que o terceiro reich se atreveu a tentar impor ao mundo; segundo, a de que judeus, ciganos, negros, deficientes físicos e outros não arianos eram inferiores e não mereciam estima alguma; mereciam apenas desaparecer, morrer. “Nossa” resposta, “nosso” NÃO, fez acontecer o “Dia D” na praia de Omaha, na Normandia. Depois, a atitude de enorme auto-estima originada e sustentada pela identidade de “povo escolhido”, levaria os judeus sobreviventes de todo aquele horror a criar um Estado impossível chamado Israel enquanto a identidade de “filhos de Alá” dos Palestinos, alimenta, em sua terra ilegalmente ocupada, uma resistência heróica, mas sangrenta.
 
A atitude de enorme autoestima por si mesmos e pelo seu povo oprimido, para não tolerarem calados que os negros tivessem que sentar-se no banco de trás dos ônibus, que as crianças negras não pudessem estudar nas mesmas escolas das brancas ou que os africanos (americanos ou sul-africanos) fossem segregados e tratados como porcos, produziu o comovente e inesquecível discurso “I Have A Dream” de Martin Luther King e a resolução e determinação para Nelson Mandela sobreviver a 27 anos de cadeia injusta e tortura vergonhosa  antes de ser libertado para se tornar presidente de seu próprio país. Um triunfo glorioso, reivindicado e esperado pela parte melhor de nosso mundo, pela parte mais apaixonada desse mundo que se reuniu em um concerto em homenagem aos 70 anos de Mandela (ainda na prisão) em 1988. Naquele dia o gramado do estádio de Wembley foi irrigado pelas lágrimas produzidas por corações cheios de orgulho (de estima, enorme estima por si mesmos) pelo simples fato de serem humanos e estarem ali fazendo parte da melhor parte da humanidade, 200 mil gargantas gritando Set Mandela Free! (libertem Nelson Mandela!) ao som de Mandela Day do Simple Minds, There Must Be An Angel Playing With My Heart do Eurythmics e Brothers In Arms do Dire Straits. Hoje, uma atitude que combina, de forma particularmente infeliz, ignorância, amnésia ou total irresponsabilidade leva os sul-africanos a elegerem um presidente condenado por estupro e réu de uma dúzia de processos por corrupção.

Além de libertar líderes como Nelson Mandela (solto em 1990), a atitude de autoestima, tanto coletiva quanto individual, quando posta em ação pode libertar nações, produzir saltos gigantescos na ciência e na arte e, um dia, garantir até mesmo a própria continuidade de nossa espécie. Gandhi conduziu o povo da segunda nação mais populosa do mundo da condição de colônia escrava da Inglaterra para Estado soberano e independente apelando, além da não violência, para a dignidade e autoestima dos indianos que, até então, mantinham uma atitude de aceitação de sua condição de servos da coroa britânica, iludidos pela falsa e perigosa crença de que era melhor viverem como escravos, mas com a certeza que os escravos têm, do que como povo livre e independente, responsável por suas próprias decisões e pela incerteza que isso representa. Um discurso de John Fitzgerald Kennedy na primavera de 1963 recrutou de uma só vez toda a autoestima do povo americano, uniu esforços, produziu volume e níveis de cooperação coletiva jamais vistos e acabou colocando o homem na Lua no verão de 1969. Em 2023, “iremos” à Marte sem nos perguntar se alguém mais é dono daquilo lá porque, depois que Nicolau Copérnico ultrajou nossa autoestima nos tirando do centro do universo, desde então ninguém mais apareceu para nos dizer que não merecemos ter dois planetas: a Terra como principal e Marte como estepe, como plano “B” de uma raça que, tal como o mais narcisista dos vírus, multiplica-se a taxas geométricas e tem uma capacidade singular de exaurir até a exaustão os recursos de seu próprio ambiente.
 
Uma das maiores dificuldades para que os contemporâneos de Charles Darwin aceitassem sua Teoria da Origem das Espécies foi a destruição de sua autoestima, estraçalhada pela idéia de que seus ancestrais não eram Adão e Eva, brancos e depilados, exilados no Jardim do Éden, mas sim, primeiro, macacos peludos e, depois, os negros das planícies do Quênia. A mesma atitude de autoestima que faz com que algumas pessoas que acreditam na reencarnação tenham delírios de identificação com vidas anteriores nas quais todo mundo foi Nefertiti, Ramsés II, reis, rainhas, príncipes e princesas da Idade Média, vivendo em castelos e palácios da Europa, e sendo sempre os protagonistas de grandes estórias de amor, grandeza e poder. Você por acaso já encontrou alguém que fizesse questão de afirmar que em outra vida foi um Zé Ninguém, nascido na África, em Bangladesh ou no Sri Lanka e que morreu de cólera, fome ou pólio, depois de uma vida insignificante, sem nenhuma qualidade, virtude, riqueza, beleza ou poder?
 
O talento de Mozart criou a inconfundível Sinfonia Número 40 e, sua enorme autoestima, o mais suntuoso e tocante dos réquiens, um réquiem para ele mesmo. A força mais sedutora na mensagem de Jesus foi nos lembrar não de nosso pecado original, mas de nossa inocência original. É fácil sentir-se bem ouvindo isso. Mais difícil é aceitar que pelos erros de outra pessoa (mesmo que Adão e Eva) todos temos que pagar e arder no fogo do inferno. Cumprir 10 Mandamentos cuja maioria se resume a “não pode isso”, “não faça aquilo”, pode parecer possível apenas para o próprio Moisés. Mas um só – “Ama o teu próximo como a ti mesmo” – já parece um começo bem mais próximo dos humanos sem o cajado mágico do príncipe do Egito (e ainda com o bônus simpático de sua implicação tácita: “como a ti mesmo” pressupõe que devemos estimar a quem primeiro?). Mesmo não sendo o mais disciplinado dos cristãos, essa parte coloca a estima por eu mesmo (esse que escreve esse artigo que você lê agora) a tal nível de controle sobre as minhas avaliações a ponto de poder fazer-me achar que, se você não gostar do que escrevo, não é o texto que está ruim é você que não está em um bom momento para entendê-lo.

 
ONDE CONSEGUIR UMA ATITUDE DE AUTOESTIMA?
 

Ter uma atitude de estima por nós mesmos significa ter apreço e afeição por aquilo que somos, por nossa identidade, pela maneira como nos definimos para nós mesmos e para o mundo. Essa identidade é a soma de nossas crenças e convicções sobre quem somos, o que fazemos, o que podemos fazer, o que temos de fazer, o que não conseguimos fazer, o que não aceitamos fazer, o que toleramos ou não toleramos. Esse conjunto de crenças é simplesmente o filtro supremo de tudo o que percebemos, do como percebemos, do significado que damos e das decisões que tomamos sobre tudo o que nos acontece. É a maior das forças em nossa personalidade e tudo o que fazemos precisa confirmar, obedecer, estar de acordo com essa identidade, tanto naquilo que nos fortalece quanto no que nos enfraquece ou destrói. A identidade de cada um de nós foi construída através de nossas experiências, de como fomos iniciados nesse mundo, de nossos aprendizados, das respostas que recebemos de nossas ações, tanto positivas quanto dolorosas. A expectativa de nossos pais ou de qualquer pessoa influente em nossa sobrevivência física ou aceitação social, com certeza exerceu um impacto dramático na formatação de nossa identidade, pelos motivos que abordei no artigo “atitude de autenticidade” e também no artigo  “atitude de emancipação”.
 
O fato é que nossa identidade determina nossa atitude de autoestima, que o tamanho de nossa autoestima é o tamanho determinado por nossa identidade. Por quê? Porque é essa identidade que permitirá ou não que façamos coisas pelas quais sintamos orgulho, valor, estima por nós mesmos. Porque são nossas referências (as memórias de nossas experiências, das coisas que fizemos e das respostas que recebemos) a fábrica da crença e da convicção de que somos ou não bons, melhores, capazes, suficientes, importantes, especiais, únicos, do que merecemos, do que aceitamos ou não para nós e para nossas vidas. Essas referências irão determinar ainda nossas predisposições, nossas expectativas com relação a nós mesmos e com relação ao futuro. Essas expectativas e predisposições podem ser fortes o bastante para tornarem-se profecias auto realizadoras.

 
DESTINO DE ZEBRA
 

Vou recorrer a uma comparação grosseira, apenas para ilustrar como isso funciona. Se eu fosse uma Zebra eu teria listras por todo o corpo. Essas listras (referências) fazem parte de minha identidade de Zebra, fazem-me lembrar o tempo todo de quem eu sou e também de quem eu não sou (minha identidade). É provável que, depois de algum tempo vivendo na savana, eu tenha deduzido em minha lógica simples de Zebra o tipo de futuro que é destinado às Zebras em função da presença próxima de nossos colegas de savana - os leões, e que essa dedução tenha me deixado deprimido ou apreensivo com minha condição. O que eu como Zebra (com a identidade de Zebra) faço? Nada, continuo sendo Zebra. Nenhuma zebra deve conseguir se imaginar um dia dando um cacete bem dado num leão porque suas listras (suas referências) as fazem saber que são apenas zebras e, além de as conduzirem a andar e viver como zebras, fazem-lhes esperar e aceitar ter apenas o destino que as zebras têm – almoço listrado de leão. Você pode dizer que não é bem assim, que viu em um programa do Discovery Channel ou do Animal Planet que as zebras correm e não se entregam facilmente para os leões. Sim, é verdade, elas correm, mas correm como zebras, não como leões, não o suficiente.

 

TRANSFORMANDO LISTRAS EM XADREZ

 

O ponto que quero afirmar aqui é que, se, conforme expliquei, o tamanho de nossa estima por nós mesmos é determinado por nossa identidade, para expandirmos nossa atitude de autoestima temos de expandir nossa identidade. Para expandirmos nossa identidade temos de fazer aquilo que não fizemos ainda para construir referências que construam uma identidade da qual tenhamos orgulho, pela qual sintamos realização e que mudem nossas expectativas com relação a nós mesmos, que alterem as profecias auto realizadoras desencadeadas por nossas predisposições com relação ao futuro. Diferentemente das zebras que não podem mudar suas listras (sem deixarem de ser zebras), nós podemos mudar, expandir nossas identidades, mudando as listras de nossas referências, fazendo aquilo que não fizemos ainda. Fazer o que não fizemos ainda significa usar músculos emocionais que não usamos ainda, ou que já usamos um dia, mas que hoje evitamos usar por medo ou que simplesmente deixamos de usar pela nossa dependência (vício ou escravidão) da certeza e do conforto de fazer apenas aquilo que já sabemos, que dominamos e no que já somos fortes ou ainda nos sentimos seguros e confiantes em fazer. Nós não construiremos autoestima vivendo de certeza, fazendo apenas aquilo que já conhecemos ou no que já somos fortes, confiantes ou seguros. Não é algo necessariamente errado ou imoral fazer (apenas) o que é confortável, agradável, pequeno, simples, rápido ou fácil. Imoral ou equivocado é esperar obter autoestima vivendo assim! Não é apenas fraqueza de caráter ou pequenez de espírito viver tempo demais (ou o tempo todo) no conforto e na conveniência proporcionados pelas ações e decisões tomadas por outras pessoas (atenção pais com dó de desmamar seus filhos). É perigoso e degradante porque não nos obriga a crescer e andar com nossas próprias pernas, a usar músculos emocionais que um dia poderão tornar-se urgentemente necessários e, ai de nós se eles não estiverem prontos, desenvolvidos e condicionados!!! Vamos cair, vamos perecer. Estaremos com as listras do medo, da fraqueza e da covardia quando nossa necessidade será de uma enorme juba de atitude, coragem e dignidade para nos impormos na savana do mundo. Satisfazer apenas nossa necessidade de certeza (segurança e conforto) ou satisfazer nossas outras necessidades em níveis apenas médios é o maior assassino de nossa motivação porque destrói ou diminui nossa atitude de auto-estima e nos leva a aceitar cada vez menos da vida, leva-nos a níveis perigosos de adaptação (aceitação conformista).

A boa notícia é que uma única coisa que façamos que exija de nós mais do que nossos músculos estavam acostumados, já produz expansão de nossas identidades. Essa expansão produz aumento da estima por nós mesmos, inflaciona nossa etiqueta de “preço”, de valor, muda nossas expectativas com relação a nós mesmos (e nossas exigências com relação aos outros), leva-nos a fazer outras coisas que expandem ainda mais nossa identidade, que aumentam ainda mais nossa atitude de autoestima, num ciclo virtuoso e sistêmico que não precisa ter fim e que impacta todas as áreas de nossa vida. Fazer essa única coisa, dar esse primeiro passo, pode ser para alguns a coisa mais difícil que já fizeram, mas, uma vez feita, será a coisa da qual elas se lembrarão como o momento mais decisivo de suas vidas. É isso que quero dizer quando recomendo às pessoas “faça aquilo que você nunca fez e viverá aquilo que você nunca viveu”. O que os chamados motivadores não sabem (ou preferem não dizer para não desmotivar) é a verdade fundamental de que a estima por nós mesmos é obtida fazendo o que é desconfortável, difícil, aquilo que exige de nossos músculos emocionais (coragem, determinação, resolução). Nós não tomamos nossas decisões (melhores e mais significativas para nossas vidas) em estado de conforto, facilidade ou certeza.

 

PELO “QUÊ” AS PESSOAS TROCAM SUA AUTO-ESTIMA?

 

Você já ouviu falar da história de pessoas que vivem vidas de completa anulação de suas identidades, de supressão total de sua estima por si mesmas. Talvez você já tenha se sentido indignado, perplexo ou revoltado ao tomar conhecimento da história de mulheres que se sujeitam ao abuso e à violência de seus parceiros, maridos ou não. A pergunta que todos nós fazemos numa situação como essa é: como ou por que alguém se sujeita ou aceita viver uma vida assim? E a resposta imediata (e superficial) que encontramos é: medo. Mas, além do medo de sofrerem mais violência se denunciarem seus agressores ou pedirem socorro, o que mais faz alguém assim tolerar e suportar a agressão a dor e do desprezo?

 

CERTEZA & CONEXÃO

 

AVISO:A partir desse ponto o texto pode requerer a compreensão dos fundamentos da Psicologia Evolucionista das Necessidades Humanas, disponíveis na seção FUNDAMENTOS do site da Matrix University Brasil. A maestria desses fundamentos começa a ser obtida no Programa PARAGON.

Nossas “necessidades primordialmente humanas” não se manifestam todas ao mesmo tempo e nem possuem a mesma força e nível de urgência. Sua ordem de manifestação e o nível de exigência de sua satisfação são acionadas por um termostato biológico simples, mas poderoso: sobrevivência. O que é mais biologicamente urgente para a sobrevivência receberá sempre maior prioridade e terá sempre maior força de demanda e controle sobre nós. Sentimos, portanto, primeiro e com mais força, a necessidade de certeza & conforto. Essa necessidade nos compele a orientar nossas escolhas buscando, sobretudo e primeiro, segurança, estabilidade e estrutura. Como essa segurança, estabilidade e estrutura vão depender muito e durante muito tempo das pessoas com as quais aprenderemos a contar (primeiro, pai e mãe e depois, por exemplo, maridos e esposas), a nossa segunda necessidade a se manifestar e exigir satisfação, por ordem de força e de prioridade, é a necessidade de amor & conexão. Temos, pois, naturalmente, a predisposição de buscarmos primeiro e sobretudo a satisfação de nossas necessidades de certeza & conforto e de amor & conexão.
 
Algumas variações podem ocorrer (e de fato ocorrem) nessa ordem de força e prioridade como, por exemplo, quando homens e (principalmente hoje) mulheres passam a dar à necessidade de significado uma prioridade maior do que aquela que dão à necessidade de conexão. Essa inversão de prioridade geralmente tem como causa, nada mais, nada menos do que a busca de satisfação da mais forte de todas as nossas necessidades: certeza. Uma forma de certeza chamada controle. Pessoas que acreditam que, para obterem e manterem amor & conexão, primeiro precisam de significado, são pessoas que, na verdade, mesmo que às vezes de forma inconsciente, estão buscando (primeiro ou mais) certeza e não amor & conexão. Isso não quer dizer que para elas, em seu MAPA (Modelo de Mundo), significado é mais importante do que amor & conexão, mas sim que para elas a certeza de seu próprio valor (significado) e a certeza de que estarão no controle é um meio ou uma pré-condição para uma relação de amor & conexão com alguém e garantia (certeza) de que não tenham que lidar com a dor de (se e quando a relação acabar) perderem seu significado, seu senso de valor próprio, de autonomia, sua capacidade de voltarem a viver sozinhas e independentes.

 

CERTEZA & SIGNIFICADO  “VERSUS” AMOR & CONEXÃO

 

Não irei discutir ou analisar aqui se essa é uma estratégia que funciona. Posso apenas afirmar três coisas. Primeiro é que se trata de uma estratégia para se obter certeza e controle, muito mais do que uma estratégia para “obter” amor & conexão. Segundo, que nossa estrutura emocional não funciona como um carro com motor flex (que funciona tanto com álcool quanto com gasolina). Nossa exigência interna por amor & conexão só é silenciada com amor & conexão, puros, sem misturas. Certeza e significado aqui entram apenas como aditivos, como o óleo necessário para o bom funcionamento do motor. Não são eles que fazem o carro chamado relacionamento andar. Terceiro, que relacionamentos primordialmente conduzidos por significado são relacionamentos marcados pela competição e não pela conexão. Pessoas maciçamente orientadas por significado podem tornar-se perigosas quando se apaixonam, como ilustrou magistralmente Shakespeare na tragédia de Othello. Todo o enorme amor e devoção que Othello tinha por sua esposa Desdemona não o impediu de estrangulá-la até a morte pela simples suspeita de traição plantada em seus ouvidos pelo demônio Iago. Com o ego destruído e cego pelo ódio causado pela perda de significado, Othello foi recuperar a certeza de seu próprio valor durante os míseros segundos que (a inocente) Desdemona agonizou sufocada em suas mãos. Ela, mesmo na agonia de sua morte, ainda era governada pelo amor e conexão expressos de forma tocante em seu derradeiro gesto de carinho: suas mãos, brancas e delicadas, deslizando afetuosamente pela cabeça negra e corrompida de seu amado e assassino mouro.

 
MULHERES QUE “APANHAM POR AMOR”
 

Abordei essa dinâmica entre a diferente ordem de manifestação de nossas necessidades e os diferentes níveis de força que conferem a elas níveis diferentes de urgência, para tornar mais simples o entendimento do que acontece quando alguém anula sua autoestima deixando de buscar a satisfação de sua necessidade de significado em nome da satisfação de suas necessidades de certeza (com dor) e de conexão (sem amor). É, segundo minha visão, justamente o que acontece, por exemplo, com mulheres que se sujeitam durante anos à violência doméstica imposta por seus maridos ou companheiros. Sua necessidade de certeza de manter o pouco que elas têm (“segurança” e “conexão”), exerce sobre elas uma força controladora maior do que o apelo frágil daquilo que poderiam ter (significado e estima por si mesmas). Temos que lembrar aqui que, quando privados de nossa autoestima, nossos medos se tornam maiores porque nos sentimos vítimas, frágeis e enfraquecidos. Podemos até mesmo passar a valorizar o julgamento que nossos opressores fazem de nós mais do que aquele que nós mesmos fazemos, chegando a ponto de aceitar o sofrimento que eles nos impõem achando que de que alguma forma merecemos isso. Some-se a isso a conexão e segurança (em forma de alívio ou submissão) existente entre uma agressão e outra e a bizarra conexão criada durante as surras (pelo contato físico) e você estará diante de alguém vivendo uma vida miserável, sem estima por si mesmo ou qualquer forma de significado, mas com migalhas de certeza e uma dieta destrutiva e insustentável de conexão.

 
CERTEZA & CONEXÃO “VERSUS”CRESCIMENTO & AUTO-INTEGRAÇÃO
 

A corrupção da autoestima pela não satisfação de nossa necessidade de significado não se restringe aos casos extremos de violência doméstica. Quando nosso foco e energia são monopolizados pelas necessidades de certeza e conexão, comprometemos também, além da necessidade de significado, as necessidades cuja satisfação representam o próprio genoma da autoestima: crescimento e auto-integração. Como isso acontece? Como quase todos os grandes males, primeiro, lenta e gradualmente, depois acelerada e totalmente, uma metástase fora de qualquer controle que pode lhe tirar o poder de reação e lhe conduzir a entregar-se à situação como se fosse um destino inexorável e parte de sua vida. Deixe-me ilustrar.

Vamos supor que você está em uma relação com uma pessoa que possui padrões de expectativa com relação à vida, inferiores aos seus (menos ambiciosos ou mais conformados). O que é mais provável acontecer, você influenciar essa pessoa a elevar os padrões dela ao nível dos seus, ou ela influenciar você a rebaixar seus padrões ao nível dos dela? Nesse caso a natureza está contra você. Na escala de preponderância de força das necessidades certeza (segurança, estabilidade) fala mais alto do que crescimento, e conexão é mais forte do que auto-integração. É por isso que nos tornamos como as pessoas com as quais convivemos. É por isso que a maior parte do que é nossas vidas é um reflexo direto das expectativas das pessoas cuja opinião e sentimentos a nosso respeito determinam como nos sentimos. Para mantermos a certeza (estabilidade) e a conexão com essas pessoas (ou com os filhos gerados com essa pessoa), muitas vezes, poderemos deixar de crescer e nos auto-integrar e isso é promessa de dor, de frustração, pois, como disse Abraham Maslow “se você deliberadamente decidir ser menos do que você pode ser, então eu o advirto que você será profundamente infeliz pelo resto de sua vida”.

Temos que nos lembrar que quando duas pessoas se encontram, aquela com o maior nível de certeza sempre influencia a outra. Se o valor que você dá ao seu crescimento e auto-integração for menor que o valor que a outra pessoa dá à certeza e conexão, você, eventualmente, atenderá às expectativas dela. Temos que lembrar e assumir que somos os responsáveis maiores e finais pelos nossos destinos; que as outras pessoas não violarão a satisfação das necessidades que a natureza as predispõe a valorizarem mais (certeza, significado e conexão) para atenderem à satisfação das necessidades que a mesma natureza nos predispõe a valorizarmos menos (incerteza, crescimento e auto-integração). Acontece que, apesar de sua muito menor força de apelo e urgência, a não satisfação de nossas necessidades de crescimento e auto-integração nos leva à morte, senão à morte física, à morte moral, emocional, ao fim do sentido e valor que damos à nossas vidas pela aniquilação de nossa estima por nós mesmos.
 

NEM OTHELO E NEM ROMEU - UM “HAMLET DECIDIDO”

 

O que torna gigantesca a tragédia de Romeu e Julieta é justamente o tamanho gigantesco de seu amor e conexão um com o outro, maior do que qualquer significado (importância) que os sobrenomes Montechio ou Capuleto pudessem dar. Quando se sentiram privados (pela ilusão da morte um do outro) da possibilidade de viverem esse amor (e essa conexão), sentiram-se privados do significado e do sentido da vida, de uma certeza pela qual viver. Temos que lembrar que, além de uma estória de amor, belíssima e inspiradora, essa é também um alerta, uma estória de morte, primeiro do significado, do crescimento e auto-integração, depois do sentido, da razão para continuar vivo. Deixamos de existir num estado de amor e conexão como esse. Deixamos de ser eu, meu, minha e passamos a ser nós, nosso. Enquanto o outro estiver respirando estaremos bem, quando isso não mais acontecer ou se o outro mudar suas prioridades ou a importância que dá à relação, estaremos em apuros. Não, não estou defendendo que ninguém se apaixone ou se entregue de corpo, alma e cartão de crédito a uma relação. Estou defendendo que em nossas relações não sejamos nem o Othelo que mata (injustamente) por significado e nem o Romeu que se mata (precipitadamente) por conexão. Sejamos um Hamlet Decidido que na dúvida do Ser ou Não Ser, SEJA. Aliás, na mais extraordinária das versões de Hamlet feitas para o cinema, Kenneth Branagh destila com maestria sobrenatural esse universalmente famoso monólogo, em uma sala repleta de espelhos, espelhos nos quais Hamlet, vaidosamente, contempla a si mesmo, prova de sua ENORME AUTOESTIMA!.

 

Amauri MAVERICK
Heart Coach & Head Trainer
Programa Paragon para Educação da Atitude
Criador da Matrix University Brasil

 
ATENÇÃO
Para divulgar este artigo, mencione a autoria da seguinte forma:

Amauri MAVERICK
Heart Coach & Head Trainer
Programa Paragon para Educação da Atitude
Criador da Matrix University Brasil

 
Programa PARAGON Educação da Atitude
Programa PARAGON

Algumas pessoas foram forjadas pela vida e passaram a ter atitudes superiores por terem vivenciado um elenco de circunstâncias diversas que contribuíram para a Educação de suas ATITUDES para o ÊXITO e a FELICIDADE!
Aí está o desafio! Reunir e sistematizar os conhecimentos que ajudam você a assimilar por vivência a Educação da ATITUDE.
Para isso, contar com a mais adequada das ajudas é simplesmente a mais inteligente das atitudes. Coloque-se em um AMBIENTE que NÃO LHE DEIXE ESCOLHA a não ser EXPANDIR, ignorando o CONFORTÁVEL e CONVENIENTE e optando pelo DESAFIANTE, pelo FAZER O QUE NUNCA FEZ para VIVER O QUE NUNCA VIVEU! É isso, EXATAMENTE ISSO, que oferecemos no Programa PARAGON: uma ACADEMIA DE ATITUDE.

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