“ATITUDE”. Esse deveria ser o nome do grande “SEGREDO”, o sobrenome de qualquer vocábulo, de qualquer sinônimo relacionado com triunfo, vitória, liderança, pódio, medalha, lágrimas verdes e amarelas. Nesta simples palavra está o resumo fiel, correto e implacável das respostas das quais muitos fogem num frenesi patético de justificativas e racionalizações: por que perdi, por que apenas quase, por que não ainda, por que os outros, por que não eu?
Atitude. Fiel impecável da balança que num de seus pratos acumula o saldo de nossas melhores escolhas e noutro o fardo de nossos piores equívocos. Não somos nossos nomes, não somos nosso CEP, não somos nossos pensamentos, sentimentos ou intenções. Não somos nem mesmo nosso genoma. Somos de fato a soma de nossas atitudes. Mas, muito mais do que apenas “nossa maneira de ser”, muito mais do que nossas predisposições viciadas, a nossa atitude, a atitude que nos define e diferencia está, de fato, em apresentar respostas novas para as velhas perguntas da vida.
No entanto, quando fala-se ou escreve-se sobre atitude, assume-se como implícita uma forma de ser ou de agir diferente (para melhor) dos demais, uma resposta a vida e aos desafios superior ou “mais vencedora” do que o padrão adotado pelos nãos vencedores. O problema com essa abordagem é a ausência de um alvo claro no qual focar se percebemos que em nós está “faltando atitude”. A resposta fica um pouco mais fácil quando fazemos a pergunta de uma forma um pouco melhor: qual atitude está faltando? Coragem, verdade, decisão, determinação ou resolução? Todas essas coisas são atitudes e (a boa noticia!!!) podem ser produzidas instantaneamente. Sim, atitude é coisa que se faz mais do que algo que “se toma”. E, basta uma rápida olhada nas prateleiras das livrarias para perceber que o tema está sendo vendido (mesmo sob diferentes e variados nomes) como se fosse algo que precisamos ter, ou, se não o temos, tomar. Realmente tem gente precisando mesmo “tomar”.
O que muita gente que escreve sobre o assunto ignora ou simplesmente omite por conveniência literária (para o livro ser mais “comercial”) ou inapetência moral (a criatura não apenas não sabe do que está falando como também não vive o que propõe), é que, muito mais do que uma mudança de agenda ou do que simplesmente adotar uma diferente lista de prioridades, mudar nossa atitude significa mudar a própria essência do que somos, nossa própria identidade. E aqui o desafio tem o mesmo tamanho da recompensa: GGG!!! Na verdade a ignorância sobre essa sintaxe (sobre essa seqüência lógica do que fazer) é a própria e maior fábrica de frustração daqueles que, insatisfeitos com suas vidas, saem em busca de mudança. Podemos tentar mudar nossos ambientes, mas nossos resultados continuarão sendo determinados por nossos comportamentos. Podemos tentar mudar nossos comportamentos mas eles continuarão sendo fabricados por nossos valores. Podemos tentar mudar nossos valores, mas eles, em última instancia, são produtos de nossa identidade, da forma como definimos a nós mesmos, do sentimento de certeza sobre quem somos e quem não somos. Essa identidade é a mãe da atitude. Se nossa mudança de agenda, se nossa nova lista do que fazer de nossas vidas tem a “aprovação” dessa “senhora nossa mãe”, além do ímpeto para começar, teremos a permissão para continuar. Se, ao contrário, a atitude que decidimos ter contraria de forma marcante nossa definição que temos de quem somos ou não somos, o resultado certo será procrastinação aguda e quadros crônicos e intoleráveis de conflito e auto-sabotagem. Aqui está O GRANDE PARADOXO DA VIDA. Mantermos uma atitude congruente com nossas identidades nos dá CERTEZA, CONFORTO, SEGURANÇA e um senso de CONTROLE. Em nenhum dicionário do mundo (em qualquer língua) nenhuma dessas coisas será encontrada como sinônimo de realização máxima, felicidade intoxicante, sucesso acachapante, entusiasmo extravagante, alegria contagiante ou de qualquer coisa sequer parecida com vida de verdade. Ao contrário, essa atitude de preferência pela repetição, pelo continuarmos a sermos apenas aquilo que somos, pela conservação congelada de nossas identidades, constitui um indicador inequívoco de superficialidade e estagnação, a receita triste, mas infalível de uma imitação de vida restrita a garantias e previsibilidade, uma sentença auto-imposta de mediocridade e muita, muita frustração.
Para fazer o que nunca fizemos (e vivermos o que nunca vivemos) temos SIM que “desobedecermos nossas mães”, contrariarmos nossas identidades adotando atitudes muitas vezes alienígenas àquilo que reconhecemos como nós mesmos, como a “agenda monolítica de nossas vidas”. Não mudaremos nossas vidas sem mudarmos nossas vidas. Não mudaremos nossa atitude sem mudar nossa identidade e não mudaremos nossa identidade sem fazer aquilo que nunca fizemos, sem tomarmos a decisão de termos uma nova atitude.
A palavra decisão assume um notável significado quando, ao invés de seus possíveis sinônimos rebuscados e transvertidos para servir de titulo de livro de “autor-ajuda”, buscamos seu “genoma léxico”, sua raiz mais primordial. Decisão vem do latim decaedre cujo significado é cortar. Quando tomamos uma decisão de termos uma nova atitude, o que fazemos é um corte em nossas identidades, extirpamos o que eu chamo de o maior dos cânceres existenciais: continuidade. Em nossas vidas, em função de nosso desenho biológico, evolutivo e emocional, continuidade é o doce que vira amargo e o amargo que vira ácido. O que quero dizer com isso é que “simplesmente não fomos feitos justamente para aquilo que normalmente sentimos maior tendência em buscar”: a repetição ou a simples continuidade daquilo que já somos, do como já estamos, daquilo que já fazemos, das mesmas atitudes que sempre tivemos. Contrariar esse nosso desenho evolutivo e emocional é o mais original dos “pecados originais”, a atitude mais insistentemente imbecil que boa parte da humanidade preserva e transfere de geração para geração. Preferimos a fixação quando somos feitos para a oscilação. Alimentamos a expectativa pela permanência das coisas quando a impermanência é o próprio oxigênio de nossa natureza e de tudo que pode ser chamado de vivo.
Crescer e expandir, transformar e transcender não é portanto a atitude que mais vale a pena em qualquer contexto: é a única. Dela deriva todo o resto, seja esse resto chamado de qualquer um dos seguintes vocábulos: sucesso, felicidade, realização, liberdade, salvação, iluminação, propósito ou sentido máximo da vida.
Mas, não se iluda com o mito do “Yes, You Can!”. Existem algumas coisas que você simplesmente não consegue fazer por você mesmo, desde o coçar determinadas partes de seu corpo até o contar uma piada para si mesmo (e conseguir rir!!!). Existem outras que você até pode conseguir fazer sozinho, mas que para isso exigem muito mais tempo e sacrifício. Mudar sua atitude através da mudança de sua identidade é a principal dessas coisas. Para isso, contar com a mais adequada das ajudas é simplesmente a mais inteligente das atitudes. Coloque-se em um AMBIENTE que NÃO LHE DEIXE ESCOLHA a não ser EXPANDIR, ignorando o CONFORTÁVEL e CONVENIENTE e optando pelo DESAFIANTE, pelo FAZER O QUE NUNCA FEZ para VIVER O QUE NUNCA VIVEU! |